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terça-feira, 22 de novembro de 2016

Amores perfeitos? É como vidas perfeitas... não existem!

"Os amores perfeitos duram pouco. Os amores perfeitos são passageiros. Os eternos exigem dedicação. Exigem construção. Há que carregar muitas pedras às costas para construir um amor eterno."
in "Prometo perder" de Pedro Chagas Freitas

domingo, 30 de outubro de 2016

Não sei a mulher que sou, mas sei a mulher que não sou.


"Não sei a mulher que sou, mas sei a mulher que não sou. Não sou a mulher que se esconde nos tachos, a mulher que se cala nas horas, que se entrega ao embuste da segurança, à fraude suportável de ver passar o tempo. Não. Não sou. Não sou a mulher do fado e das lágrimas, a mulher do enfado e das rotinas, dos sonhos que se arrastam pelas esquinas. Não. Não sou. Não sou mulher de sorrisos quando existe a gargalhada, de aldeias quando existe o mundo. Não sou nem um milímetro menos do que aquilo que posso ser, e se um dia cair, foi porque tentei saltar e não porque preferi aceitar."

[Pedro Chagas Freitas in 'Prometo Perder']

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

(os cinco erros que deves cometer numa relação)


SER FRACO: sente tudo, mesmo que com medo. Sentir é o melhor erro que podes cometer. O mais delicioso. Sentir é a melhor maneira de viver. Sê frágil porque é apenas humano ser frágil. Não queiras ser o mais forte do teu bairro, o mais forte da tua rua. Não queiras ser herói. Sê tu. Sê extravagante o suficiente, sê maluco o suficiente, sê inconsciente o suficiente: vai pelos sentidos, vai pelas emoções. Não tentes escapar, não tentes fugir; resolve o que sentes em ti. 
Não sejas quadrado. 

SER INCOERENTE:  o amor não é sempre coerente – e ainda bem. Não sejas obsessivo acerca disso. Relaxa. A coerência que se dane. É mais importante, muito mais importante, a criatividade. Sê criativo. Todos os dias. Demencialmente. Sê capaz de encontrar novos caminhos em cada novo momento: escreve uma carta de amor, faz um jantar excêntrico, encontra sempre novas maneiras de fazer as velhas coisas de sempre. Erradica a monotonia. 
Não sejas quadrado.

SER LUNÁTICO: não evites o risco, não evites a utopia. Tenta pelo menos o impossível, o intangível. Tenta a tua sorte: procura-a, escava em busca dela, trabalha por ela, faz tudo por ela.  Sonha grande e faz com que sonhem em grande contigo. Amor sem sonho não é amor. E vida sem amor não é vida. 
Não sejas quadrado.

DISCUTIR: discutir é lutar pelos teus sentimentos, lutar pelo que queres, lutar pelo que te parece melhor. Em nome do amor. Só em nome do amor. Nunca em teu nome pessoal. Nunca por egoísmo bacoco. Nunca por orgulho. Nunca por casmurrice. Nunca porque não queres perder. Nunca porque queres ficar por cima. Nunca porque queres ficar com crédito. Nunca porque queres que te fiquem a dever uma. Nunca porque queres ter razão. Nunca porque tens a mania que sabes tudo. Nunca. E sempre. Sempre para amares e seres amado. Discute com quem amas sempre que necessário – mas sempre com cimento e cola e tijolos na mão: sempre para construir. Amar é construir. O amor é levantado sobre a capacidade de discutir sem destruir. Às vezes é difícil, terrivelmente difícil. Mas um amor que acaba sem discussão não é um amor falhado; simplesmente não é um amor. 
Não sejas quadrado.

CHORAR: todos os amores têm os seus maus momentos, todos os amores têm momentos em que parece que todo o edifício vai ruir insuportavelmente. Nesses momentos, chorar deve ser feito: chorar tem de ser feito. Para abrir a válvula: para deixar a dor sangrar. Para que o tempo passe, para que a pressão acalme, para que o que dói acalme também. Deixa que acalme, sem pressas. Só assim poderás voltar a construir. Chora quando chorar tem de ser; deixa o teu amor chorar quando chorar tem de ser. E faz-te homem (daqueles homens que interessam: os que choram, claro; os que não têm medo de chorar porque felizmente se estão nas tintas para os velhos e jovens do Restelo que têm medo de chorar, que têm medo de deixar de ser homens sempre que choram: enfezaditos coitaditos, não são?) com cada lágrima. 
Não sejas quadrado.


in "Prometo Perder" de Pedro Chagas Freitas

sábado, 17 de setembro de 2016

(carta de um adulto ao mundo)

"Continuar todos os dias faz chorar.

O passado sobrepõe-se, teimoso, e damos por nós a perceber que já não somos crianças, que já não somos sequer jovens. O tempo passa e leva-nos com ele. Ganhamos tanto e fica sempre a sensação de que perdemos tanto também. A vida prossegue e o corpo prossegue. Tudo a caminho do final. E nós no meio, perdidos, a cabeça sem saber se é corpo se é alma.

Viver todos os dias é maravilhoso e não deixa de ser horrível.

As responsabilidades apertam, comprimem. Quanto mais cresces menos podes cair. Menos há margem para queda. Um adulto é sempre uma criança com excesso de responsabilidades. Com excesso de obrigatoriedades. Uma criança é feita para cair, um adulto é feito para se levantar. Todos os dias levantar. Perde-se o emprego e tem de se levantar. Perde-se um amigo e tem de se levantar. Perde-se uma oportunidade e tem de se levantar. Perde-se tudo e tem de se levantar.

Levantar todos os dias magoa.

E o cinzento estrangula. Coloniza. Integra-nos inteiros. Distraio-me um segundo e já estou nele: completamente cinzento, uma malha absurda de mais-ou-menos, uma teia irrespirável de meia-felicidade-meia-infelicidade. A rotina contagia – mas contagia porque não consegue contagiar. A rotina contagia pela incapacidade de emocionar, de mover, de abalar. Repetir apenas o irrepetível: eis o que temos de procurar.

A emoção todos os dias corrói mas não ter emoção todos os dias mata.

Ontem era jovem e tinha todos os sonhos do mundo; hoje sou um quase-velho e tudo o que consegui foram quase-sonhos. Já fui feliz. Claro que já fui feliz. Já consegui abraçar, beijar, amar. Mas sabe sempre a pouco. Viver sabe sempre a pouco. E há dias em que viver sabe a demais. Dias em que é urgente deixar de viver. Time-out. Standby. Ficar apenas por ali, a olhar de fora para dentro de nós; tentar entender o que somos, o que queremos. No fim, tudo continuará na mesma e nada ficará como dantes.

Tudo continuar na mesma e nada ficar como dantes todos os dias cansa.

Sou um adulto e não sei quem sou: eis a única declaração possível. Eis a única verdade possível. Quero ser a criatura mais feliz do mundo e lutarei até ao fim dos meus dias para isso. Mas talvez seja isso, essa fúria de felicidade, essa luta imparável, que me impede de ser feliz. Talvez queira demais ser feliz. Talvez ame demais, talvez exija demais. Mas só o que é demais não é erro.
Há dois dias era um puto e dentro de dois dias sou um velho: aqui jaz um adulto. Os adultos têm muito a perder e é por isso que se perdem. Perdem-se no que querem ter e esquecem-se do que já são. A vida, para um adulto, é aquilo que acontece enquanto estão a pensar no que é a vida. Um adulto está no pico de tudo e raramente consegue sair do chão.

Pensar na vida todos os dias aborrece.

Os adultos são uma seca. Eu sou uma seca. E o pior é que sei que sou uma seca. Sei que já não tenho a paciência que tinha para aguentar o que tenho de aguentar. Sei que poderia rir mais, que poderia tentar mais, que poderia voar mais, que poderia amar mais. Mas falta-me juventude para isso. Falta-me coragem para isso. Penso no que posso perder e abdico do que posso ganhar. Os adultos são uma seca. Os adultos são uns bananas.

Ser banana todos os dias arrelia.

Sou um adulto e sou feliz: quantas vezes o dissemos – e sentimos - mesmo?"

in "Prometo Perder" de Pedro Chagas Freitas

sábado, 23 de maio de 2015

Na mesa de cabeceira...


...está este livro... oferta de uma amiga muito querida. É claro que já o comecei a ler, até porque tinha imensa curiosidade em ler o livro na integra, pois só conhecia partes, algumas das quais já partilhei aqui, aqui, aqui, aqui,  e aqui. Sei que é uma leitura muito diferente das que costumo fazer, nada romance, nem drama, mas gosto da maneira como este autor português escreve e sei que vou adorar...aliás já estou...


Bom dia!!!

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Apesar de tudo amar!!!


"Apesar de tudo amar. Apesar de tudo viver. Apesar de tudo sentir. Apesar de tudo arriscar. Querer apesar de tudo. Crer apesar de tudo. Insistir apesar de tudo. Ser apesar de tudo. Ir apesar de tudo. Apesar de tudo é o melhor conselho que alguém pode dar a alguém. Por mais coisas que nos faltem na vida há tantas coisas que não nos faltam na vida apesar de tudo."
"In Sexus Veritas", de Pedro Chagas Freitas

Bom dia :))))


segunda-feira, 27 de abril de 2015

É o que não conseguimos ser que nos faz ser o que somos!!!



"É tão humano o que somos. E é isso o amor, só pode ser isso o amor: algo tão humano que pode acabar, tão humano que pode magoar, tão humano que pode errar. Somos feitos da massa do erro, da massa do falível. É com as fendas que construímos a casa, é com as lágrimas que construímos o que nos protege da água. Sabemos que nos falta tanto para sermos perfeitos e que é assim que nos sentimos imaculados: um do outro como um e o outro das insuficiências. 
É o que não conseguimos ser que nos faz ser o que somos." 

in Prometo Falhar (Pedro Chagas Freitas) *
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